O verdadeiro Natal

Existe um motivo que nos faz celebrar o Natal

O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Isaías 9,2)

Não sei se você notou, mas há um clima diferente no ar, nas lojas e nas ruas, há muitas luzes, brilhos e cores, as pessoas agendam confraternizações, são desejados votos de felicidade nas famílias, nas casas, nas igrejas e até nas empresas, todos desejam a mesma coisa, esse período encanta, traz um colorido especial à realidade que, durante o ano, foram se tornando comuns e opacas pela rotina do dia a dia.

O show do Roberto Carlos, a música Jingle Bells, as promoções e até aquele velhinho vestido de vermelho nos fazem viver um
tempo diferente. Mas será que estamos mesmo celebrando o Natal? Ou seja, será que estamos celebrando o nascimento de
Jesus, o Verbo que se fez carne e habitou em nosso meio? Nossa rotina tão sobrecarregada, opaca e sem luz, neste período
do ano paramos e inevitavelmente nos damos conta que Ele é a verdadeira Luz que brilhou para o povo que andava nas trevas.
Ele veio para nos salvar e fazer participantes do seu Reino.

Presente? Sim nessa época devemos sim lembrar do presente, aquele que Ele nos deu, Seu amor, Sua vida, a paz que o mundo
não pode dar, Ele nos deu alegria, contentamento, esperança, libertação e acima de tudo, salvação. Por isso nós, os cristãos, devemos sim celebrar o natal, não esse natal comercial, mas o natal de amor, o natal que assim como há 2018 anos atrás reuniu uma família, pastores e anjos, hoje deve novamente reunir famílias e amigos para celebrarmos a luz que o menino Jesus nos trouxe, aquela Luz que brilhou na terra anos atrás é Jesus, a mesma Luz que deseja hoje iluminar nossa vida, dissipando toda espécie de trevas que o pecado nos incutiu.

Lembremo-nos de que nosso coração é o lugar que Deus escolheu para fazer morada através do seu Espírito Santo. E por causa
desse amor, hoje podemos celebrar essa data com alegria. Natal é a melhor época do ano, na qual, junto com o nascimento
de Jesus, vivemos o renascimento das famílias. É a época também em que somos convidados a sermos melhores para as pessoas e situações ao nosso redor. Somos chamados para fazer a diferença, quebrar barreiras, vencer obstáculos, transpor muros, tudo por um único motivo, porque hoje é natal, a luz do mundo brilha em nossos corações.

É tempo de reunir a família, é tempo de abraço, de perdão, de recomeço, é tempo do novo, pois com a chegada de Jesus, Tudo
novo se fez. Sua luz nos contagia e aquece, por isso, abramos nossos corações e tenhamos a coragem de sermos faróis no
mundo, levando, com a nossa vida, a luz que é Cristo, aos corações sedentos de amor e paz. Esse é verdadeiro natal.

O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Isaías 9,2)

Assim, celebraremos o Natal, a festa cristã.


Feliz Natal!
Pr. Franco Júnior

A INCAPACIDADE DA RELIGIOSIDADE HUMANA PARA A REDENÇÃO E COMUNHÃO COM DEUS

“Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Vieram alguns e lhe perguntaram: Por que motivo jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam? Respondeu-lhes Jesus: Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presente o noivo, não podem jejuar. Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão. Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira parte da veste velha, e fica maior a rotura. Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos”. Marcos 2.18-22 ARA

Em todo lugar; em toda cultura existe um senso religioso entre a humanidade que inspira a praticar certas condutas em busca de uma comunhão com o divino, com o espiritual. Há no fundo da alma humana um sentimento de redenção, de salvação. Nas civilizações mais antigas da história humana presenciamos esse sentimento. Cravado e guardado na consciência humana por toda a história, comprovando isso. A Bíblia diz: “Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se”

. (Rm.2.14,15 ARA)

Quem inventou a religião? Talvez você me diga que foi Deu

s ou os profetas ou gurus. Não foi. Quando Adão e Eva pecaram eles buscaram se cobrir com folhas de figueira e fizeram cintas para si (cf. Gn.3.7). Depois buscaram se esconder entre árvores do jardim do Éden (cf. Gn.3.8). Aqui nasce a religiosidade: uma busca de alternativas para remediar os pecados (erros) e o distanciamento de Deus. Porém, Deus não aceitou o método humano providenciado por Adão e Eva, o criador sacrificou um animal, e com a pele os cobriu (cf. Gn.3.21). A religiosidade é uma tentativa de reparar os pecados (erros) por métodos humanos. Enquanto que Deus já providenciou o seu filho Jesus Cristo que, por seu sangue, somos perdoados. Tipificado neste animal do Éden e em todos os animais que foram oferecidos como expiação pelo pecado do povo. Como diz a Palavra de Deus: “Ora, todo sacerdote se apresenta, dia após dia, a exercer o serviço sagrado e a oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca jamais podem remover pecados; Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus”. (Hb.10.11,12 ARA). No capítulo anterior nos diz: “não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção”. (idem 9.12 ARA). Veja ainda: Jo.1.29; Hb.9.26; Rm.5.9 e Ef.1.7.

No trecho bíblico inicial, temos uma repetição humana do Éden. Uma expressão de religiosidade, todavia, como sempre, incapaz de salvação, redenção, ou aproximação de Deus. Se não vejamos:
1) A religião põe encanto no homem e não em Deus. Veja o verso 18:
“Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Vieram alguns e lhe perguntaram: Por que motivo jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam?”Tanto os fariseus quanto os discípulos de João Batista estavam jejuando. Porém, os discípulos de João Batista viram Jesus no Jordão sendo batizado, mas não o seguiram. Preferiram seguir João Batista, mesmo tendo ouvido tudo do próprio João acerca de Cristo (cf. Jo.3.26-36). Temos também os fariseus, que além de fazerem o jejum anual da expiação pelo pecado, jejuavam para chegada do Messias, embora ele tivesse diante deles não perceberam. Se acomodaram com o sistema de ritos e cerimônias que tipificavam o que haveria de vir (cf. Cl.2.17), mas não se deram conta disto (cf. Rm.10.4). O fato é que se colocarmos nossa confiança em métodos ou ritos para salvação e comunhão com Deus, teremos uma religiosidade. Que não passará de folhas de figueira como Adão e Eva usaram para cobrir suas vergonhas.As religiões no mundo praticam o jejum. Não é uma disciplina exclusivamente cristã. Zoroastro praticava jejum; Confúcio e os iogues da Índia e os judeus também. Platão e Aristóteles jejuaram. Até Hipócrates, pai da medicina moderna jejuava. Porém, como disse o profeta Isaías (cf. Is.58.3-8), jejum sem conversão, sem altruísmo, sem arrependimento dos pecados (erros), não agrada a Deus.Deus não se encanta com religiosidade. Deus quer conversão, arrependimento, que o amemos, que amemos ao próximo. Como disse Jesus ao falar sobre os mais importantes mandamentos de toda lei: “… Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. (Mt.22.37-40 ARA).2) A religiosidade não tem Jesus como o centro. Veja o verso 19,20:
“Respondeu-lhes Jesus: Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presente o noivo, não podem jejuar. Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão”.Observe que Jesus responde de forma figurada que a humanidade deve se focar nele, seguir ele, esperar por ele. Pois os convidados do noivo, enquanto estivessem em sua festa, que duravam uma semana, estavam isentos das obrigações religiosas. Os convidados do noivo, enquanto estivessem com ele deviam comer e se alegrar com ele. Assim, toda a nossa fé e culto deve ser centralizada em Jesus, estar com ele, seguir a ele. E isso transcende a ritos religiosos. A forma figurada de Jesus falar aqui não desqualifica o jejum. O foco era revelar que os seus discípulos estavam com ele e criam nele, diferente dos demais que jejuavam. Para estes, Jesus não era o centro da atenções, mas o ritos e as tradições.3) A religiosidade não atende a exigência divina para redenção. Veja o verso 21,22:
“Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira parte da veste velha, e fica maior a rotura. Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos”.Com estas outras duas formas figuradas de falar Jesus confronta a prática exterior da religiosidade (no caso o jejum). Que sem a ajuda de Deus em nos regenerar não poderemos guardar e nem obedecer os seus mandamentos. Ele diz “romperá o odres”, “o remendo novo tira parte da veste velha”. Onde a veste velha é a natureza pecaminosa (errante) do homem, bem como o odres velho. O remendo novo representa a prática da lei e da vontade de Deus para as nossas vidas. A natureza pecaminosa do homem, entretanto, não quer seguir e nem obedecer a Deus. Ela se rompe com Deus. Revelando assim que a religiosidade é uma costura inútil de remendo novo em veste velha.Fica subentendido que a veste nova é a criação de Deus no homem arrependido, que mudou de uma mentalidade de fazer a própria vontade para fazer a vontade de Deus. Isso é ser uma nova criatura. A Bíblia diz: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Co.5.17 ARA). E ainda: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados”. (At.3.19 ARA).O vinho novo é a glória e a justiça divina, que precisa de um odres novo (nova criatura, novo homem) para poder se aproximar de Deus. Pois o vinho novo quando começa a fermentar dentro de um odres velho, ele se esticará até romper-se, isso dava prejuízo aos donos das vinhas. Então, os vinhateiros sempre que colocavam vinho novo tinham que trocar o odres. Assim é o homem, se não houver arrependimento, conversão, regeneração, não poderá subsistir a glória e a justiça divina, será destruído. A religiosidade não atende a demanda divina para redenção.Enfim, a religiosidade é que nem remendo novo em veste velha. Ela não restaura o pecador, não o redime. Ela não muda o estado do pecador perante o Deus santo. É apenas remendo. A religiosidade não coloca o odres novo (o novo homem, uma nova criatura, conversão, arrependimento, regeneração) isso é uma obra divina. Disse Jesus: “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito”. (Jo.3.6 ARA). Paulo escreveu: “… e isto não vem de vós; é dom de Deus”. (Ef.2.8 ARA). E Jesus reitera: “… Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer do alto não pode ver o Reino de Deus”. (Jo.3.3 BJ).

CONCLUSÃO

Caro amigo, Jesus Cristo é a solução para a tua vida. O que você tenta fazer por meio da religiosidade não vai lhe trazer uma comunhão com Deus. Você precisa experimentar daquilo que Jesus pode te dar ao crer nele: “… eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. (Jo.10.10 ARA). Que é ser uma nova criatura, passar pelo arrependimento e conversão. Assim você verá e entenderá o reino de Deus. Poderá então ser redimido e provará de uma comunhão com Deus.

Legendas:
ARA – Bíblia Almeida Revista e Atualizada
BJ – Bíblia de Jerusalém
Odres: recipiente de couro onde era posto o vinho
Vinhateiros: viticultor, agricultor que cultiva vinhas
Conversão: voltar-se para Deus
Arrependimento: mudar a mente para melhor, emendar o coração e com pesar os pecados passados.
Regeneração: metáfora de ter passado por uma transformação de mente, que leva a uma nova vida que procura conformar-se a vontade de Deus.
Nova criatura, o novo homem: alguém que foi regenerado.

Fontes utilizadas:
Léxico grego de Strongs
Comentário Bíblico de William Barclay
Dicionário Online Aulete
Dicionário Miniaurélio Eletrônico versão 5.12
Bíblia Almeida Revista e Atualizada
Bíblia de Jerusalém

Que igreja você pretende deixar para seus filhos?

Mateus 7.24-27.

 

Ninguém é o que é por acaso. Ninguém é grande por acaso, ninguém é bom por acaso, ninguém é nobre por acaso, ninguém é injusto, mal agradecido, inconstante, cheio de medo ou medíocre por acaso. Há uma sucessão de fatos que levam uma pessoa a ser exatamente como é. Um passo tem sempre a ver com o outro, pois a vida é um processo. Mas nós temos, sim, a oportunidade de construir a nossa vida em cima de um bom fundamento. Segundo o texto de Mateus 7.24-27 existem dois tipos de alicerces que sustentam a vida de uma pessoa. Cabe a cada um escolher e decidir sobre qual deles vai construir a sua vida. Isso independe de como foi a minha educação no lar, qual o meu temperamento, qual o meu signo; independe da minha história de vida, das conquistas, dos traumas. Chega um momento em que eu posso decidir como quero ser.

 

Perceba que as oportunidades são iguais. O texto diz: “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica...”(v.24). “E aquele que ouve estas minhas palavras e as não cumpre…”(v.26). Jesus deixa claro que não há imposição predeterminada pelo destino. Trata-se de uma questão de escolha. Todos são livres para decidir.

 

Perceba também que a grande diferença reside no fato de como tratamos a palavra de Deus. Cabem aqui duas indagações: “Que padrão tem se estabelecido na minha vida? O padrão de Deus ou outro padrão, da areia?” Isto revela sobre o que estou alicerçado. Porque o alicerce não é algo que se vê de imediato. Ele não é aparente. Vale ressaltar que o alicerce é a primeira coisa a ser construída numa casa. Seja ela grande ou pequena, se começa pelo alicerce. Mas Jesus sugere que alguns não atentam para a importância de se construir sobre um alicerce firme (v.26). Vão simplesmente construindo, o tempo vai passando, a tempestade vem (aliás, vem para todos), aí é que notamos a importância de se construir a vida sobre um fundamento firme. E Jesus diz que as suas palavras, a Bíblia, é que compreendem esse fundamento que sustenta a nossa vida. A vida não é desconectada das minhas escolhas. De algum modo, nós somos o que escolhemos ser. NÃO DEPENDE TANTO DO PREGADOR, NEM DE QUEM É O PASTOR. AQUI QUEM ESTAVA PREGANDO ERA JESUS, O PRÓPRIO. QUE PRIVILÉGIO! E MESMO ASSIM TINHA GENTE QUE NÃO FAZIA O MENOR CASO EM OBEDECER, EM SE ENVOLVER, EM SER TRANSFORMADO E TRANSFORMAR. ÀS VEZES NÓS QUEREMOS QUE O OUTRO FAÇA AQUILO QUE, NA VERDADE, TEMOS QUE FAZER. MAS JESUS DEIXA CLARO QUE A RESPONSABILIDADE É PESSOAL. EU SOU O RESPONSÁVEL PELAS MINHAS ESCOLHAS.

 

Em se tratando de igreja, falo aqui de igreja no sentido de comunidade local, não é muito diferente. A igreja que desejo para meus filhos não vai, simplesmente, surgir do nada. “Um dia ele a encontra no caminho da vida…”. Não é assim. A igreja que desejo para meus filhos está sendo construída hoje. Eles estão percebendo claramente que idéia eu tenho de igreja. Eles sabem (ou não), se me esforço para construir “uma boa igreja para nós”, ou se sou relapso e desatento, e construo a igreja e minha própria vida sobre o nada, sobre a areia. Já vimos que o alicerce de areia não suporta os fortes ventos da tempestade da provação, não suporta o transbordar dos rios da adversidade, e, tanto a tempestade, quanto o transbordar dos rios vêm sobre todos. Ninguém está isento de dificuldades. Não tem como ser diferente.

 

Se a minha posição em relação à minha igreja local é medíocre, indiferente, má, perversa, não tem como eu construir uma igreja forte, firme, saudável, profunda na Palavra (alicerce), santa, grata, amiga, sincera, rica em valores, pura para meus filhos. NÓS SOMOS OS RESPONSÁVEIS PELA CONSTRUÇÃO DA IGREJA QUE QUEREMOS PARA NOSSOS FILHOS.

 

No amor de Cristo,

Pr. Obede Franklin Moura e Silva

Bonhoeffer, a graça barata e o evangelho da prosperidade

Há 68 anos (no dia 09 de abril de 1945) morria Dietrich Bonhoeffer, pastor e teólogo da Igreja Luterana da Alemanha.

Este erudito, ordenado e doutorado aos 21 anos, autor de vários livros, é conhecido por sua coragem e seu compromisso cristão. Quando a Igreja Católica guardou silêncio e igrejas cristãs protestantes mantiveram-se à margem, com a desculpa de “neutralidade” diante do tirano e despótico regime que pretendia levantar Hitler, Bonhoeffer foi coerente com seu discurso e levantou sua voz. Ele teve a oportunidade de ficar nos Estados Unidos em meio aos alvores que prognosticavam uma guerra mundial. No entanto, preferiu voltar ao seu país para cuidar do rebanho que Deus lhe havia entregue. Tinha sob sua responsabilidade um seminário que depois foi fechado pela Gestapo. Foi proibido de falar e ensinar mas, obedecendo ao seu chamado, continuou seu trabalho clandestinamente.

Acusado de cúmplice no plano para matar Hitler, Bonhoeffer foi preso e passou seus dois últimos anos de vida em uma prisão de Berlim, aguardando sentença final. Ali se dedicou a escrever vários de seus livros, que s ão conhecidos até hoje. Entre eles, “O Custo do Discipulado”1, uma joia da literatura cristã, que faz uma exposição à luz do Sermão do Monte (Mateus 5). Seu argumento era pôr em evidência o que significa professar uma fé abstrata, legalista e desencarnada do verdadeiro compromisso e da transformação que Jesus exige como o coração do Reino de Deus para os seus seguidores. Uma fé que não toca a alma nem a consciência, um cristianismo sem Cristo e sem cruz é uma fé estéril, inútil e vazia porque, ao final, não é sustentável. A isto Bonhoeffer chamou de “a graça barata”.

” A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado”.

73 anos depois do pastor Bonhoeffer ter escrito estas palavras em um contexto de tribulação por defender sua posição, é triste reconhecer que hoje alguns setores trilham o mesmo caminho que visa baratear a fé. A fé se torna barata quando é oferecida como um produto de consumo para satisfazer as massas que buscam uma mensagem que se encaixe aos seus desejos pessoais. Quando é oferecida como espetáculo para um público que deseja que se adoce os ouvidos e se prometa estabilidade para seu “status quo”. Quando se defende a identidade de ser filho ou filha de Deus como uma garantia para reivindicar as promessas materiais em troca de uma módica soma ou transação monetária a que alguns chamam de “lei da semeadura e da colheita” ou “pacto com Deus”.

Recentemente um tele-evangelista latino-americano ensinou (se é que se pode chamar de ensino) que devemos reclamar a Deus por qualquer necessidade material existente e pedir o “carro dos nossos sonhos como um direito adquirido por sermos seus filhos”. Em seus trinta minutos de exposição, em nenhum momento ele fez menção a outros elementos presentes na mensagem apostólica, tais como a justiça, a responsabilidade, a obediência, o arrependimento e o seguimento como parte integral do discipulado que Jesus viveu, encarnou e buscou.

Os promotores dessas correntes correm perigo de ensinar falsos ensinamentos e, assim, reduzir a mensagem a “migalhas espirituais”. Bonhoeffer tinha razão ao afirmar que “a graça barata é o inimigo mortal da igreja”.

A última conferência mundial sobre evangelização “Lausanne 3”, celebrada na Cidade do Cabo, África do Sul, se pronunciou contra a má interpretação bíblica e até a manipulação que se tem feito para alimentar o materialismo. Um dos oradores mencionou, em seu discurso intitulado “Deus promete abençoar o seu povo,” que o evangelho da prosperidade distorce o conceito de bênção quando a reconhece apenas no sentido material.

Outros preletores também comentaram o problema:

“Nós não podemos usar a opção de comprar a graça de Deus, e isso é o que faz o evangelho da prosperidade”.

“Dar é parte da nossa adoração, mas o evangelho da prosperidade faz com que o dar seja uma atividade de barganha”.

“Aos crentes é ensinado que quando fazem uma oferta a Deus podem esperar uma rentabilidade determinada. Mas Deus abençoa de acordo com a sua sabedoria, e não necessariamente com riqueza material”.

Como crentes, não podemos permanecer calados diante desses falsos ensinos que continuam a permear a igreja e prejudicam a fé. Mas o mais preocupante é que eles continuam a arrastar milhares de seguidores para beber dessas águas turvas e ilusórias. E ainda mais perturbador é que eles estão deixando para as futuras gerações um legado de discipulado que em nada reflete o coração do Reino.

Bonhoeffer não se calou porque reconheceu que seu dever como um discípulo do Senhor era falar. Deus espera algo menos de cada um de nós, hoje?

Nota:

1. Publicado no Brasil pela Editora Sinodal, com o título “Discipulado”.

A fé cristã é sempre contracultural

Escrevo este artigo no início da semana em que celebramos a Paixão de Cristo. Um período do ano em que sempre me dedico a pensar e refletir sobre a cruz de Cristo, seu sofrimento, morte e ressurreição. Escrevo também em meio a uma das maiores crises políticas, sociais e econômicas de nossa história recente. Sou levado a refletir sobre as duas realidades e a relação entre elas.

Estive lendo, recentemente, um artigo do pregador inglês não conformista John Angell James (1785-1859). Para ele, os cristãos não deveriam se preocupar em se ajustarem ao seu mundo, nem mesmo em serem considerados ultrapassados. O cristianismo, para ele, é sempre autoconsciente de ser contracultural, fiel ao evangelho e ao  caminho estreito. Ele disse: “Jamais se deve esquecer de que o tempo em que os apóstolos exerceram seu ministério foi logo após a Era de Augusto no mundo antigo. A poesia havia recentemente presenteado o mundo das letras com as obras de Virgílio e Horácio. A luz da filosofia, embora evanescente, ainda derramava seu brilho sobre a Grécia. As artes ainda exibiam suas mais esplêndidas criações, embora tivessem parado de evoluir. Foi nesse tempo, e em meio a tais cenários, que o evangelho iniciou seu curso. As vozes dos apóstolos eram ouvidas por sábios que se aqueciam sob o sol da sabedoria ateniense, e reverberavam um eco surpreendente dos templos e estátuas que haviam sido abalados pelos trovões de Cícero e Demóstenes. Mesmo assim, não fizeram concessões às exigências da filosofia, mas apegaram-se à cruz como o único objeto que sentiam ter o direito de exibir. Nenhuma vez se entretiveram na degradante noção de que deveriam se acomodar à filosofia ou aos gostos da época em que viviam, ou aos lugares onde ministravam […]

Quer o apóstolo se dirigisse aos filósofos no Areópago, ou aos bárbaros na ilha de Malta; quer arrazoasse com os judeus em suas sinagogas, ou com os gregos na escola de Tirano; tinha apenas um único tema, e esse era Cristo, e o Cristo crucificado”.

Jesus, no início da Páscoa, logo após sua entrada em Jerusalém, afirma: “E eu, quando for levantado da terra,  trairei todos a mim mesmo”. Ele estava referindo-se à sua morte na cruz. O que atrai os homens a Cristo é sua cruz, nada além dela. Que direito temos nós de nos desviarmos desse imperativo? Se vivemos numa era tecnológica ou se nos deparamos com conflitos sociais e políticos com polarizações apaixonadas, seria isso uma razão para julgarmos que a necessidade humana poderia ser suprida por alguma outra fonte? Deveríamos amar alguma outra coisa, seja ela uma nova tecnologia ou uma forma de ideologia mais do que a cruz de nosso Senhor?

John Angell James segue dizendo: “A suposição de que é um requisito, para uma época como a atual, de que outra coisa qualquer além do puro cristianismo seja tema para nossa ministração no púlpito, ou que este deva ser  presentado em roupagem filosófica, parece-me ser o sentimento mais perigoso, um descrédito para o evangelho em si, uma hipótese audaz de sabedoria superior à de Deus, e contendo um germe de infidelidade”.

Qual o papel da Igreja num tempo como este? Qual deve ser sua palavra profética diante da crise que se coloca diante de nós? O que o sofrimento, a morte e a ressurreição de Cristo têm a nos dizer em dias como estes? Se nos deixarmos levar pelo ímpeto de nossas paixões e julgarmos nossa sabedoria superior à de Deus, corremos o risco de perder o sabor do sal e o brilho da luz. Nestes dias tensos, lembremo-nos do apóstolo que disse:

“Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”.

O CRISTÃO E OS PROBLEMAS VIVENCIAIS

Quando lemos: “… no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”. (Jo.16.33); “Antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo: na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias”. (2Co.6.4); e “Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério”. (2Tm.4.5). “Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem”. (1Pe.4.19). Chegamos a uma conclusão geral que: nós estamos sujeitos aos problemas vivenciais. Quer queiramos ou não.

A expressão “problemas vivenciais” quer dizer problemas da vida. Esses problemas aparecem com diversas faces:

Enfermidades (em si próprio, no parente);

Financeiro (dívidas, desemprego, fome);

Crise na família (brigas no casamento, criação de filhos, drogas, álcool, brigas com os pais);

Inimizades;

Falecimento de ente querido;

Quebra ou perca de bens materiais (carro, aparelho doméstico, roubo);

Sentimentais (Divórcio, infidelidade conjugal, namoro);

Etc.

Todos esses problemas podem se tornar em grandes barreiras para a caminhada cristã. Se não houver uma busca de Deus (Sl.120.1; 46.1) e uma segurança na Palavra de Deus (Mt.7.24,25).

Veja bem: Conforme Mateus 7.24,25 Jesus não disse que aquele que ouve a Palavra de Deus e a põe em prática não cairá a chuva, não encherá os rios e não soprará os ventos. O que ele garantiu é que aquela casa não desabaria. Diferente do que não põe em prática a Palavra de Deus, onde sua casa cairá quando vir a adversidade.

Os problemas vivenciais não podem tomar o nosso coração. Pois roubam a nossa fé. Digo “fé” tanto a nossa confiança em Deus quanto o crer nele. E para que os problemas vivenciais não venham a tomar o nosso coração devemos entregar a Deus todas as nossas ansiedades: “lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”. (1Pe.5.7). A grande dificuldade de muitos cristãos é essa “entrega”. O termo “lançando sobre ele” que o apóstolo Pedro usa aqui, se refere a isso. Uma entrega das ansiedades ao Senhor. Pois os problemas vivenciais tendem a gerar muita ansiedade nas pessoas. No texto grego original consta a palavra “merimna”, que quer dizer “cuidado, ansiedade”. E isso é muito ruim para o cristão. Pois nos faz lembrar da parábola do semeador, daquela semente que caiu no meio de espinhos, onde esses cresceram e sufocaram aquela semente que germinou e por isso tornou-se infrutífera (Mc.4.7). Mais adiante ele explica a parábola dizendo sobre essa semente:

“Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra, mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera”. (idem v.18,19). Observe: “os cuidados do mundo” ou “as preocupações deste mundo” (versão NTLH) trazem sufocamento a vida espiritual daquela pessoa. Portanto, o cristão deve entregar a Deus suas ansiedades sempre, nunca guardá-las em seu coração. Pois são como “espinhos” que ferem e sufocam a vida espiritual. Então os problemas se tornarão cada vez pior. E o cristão naufragará. Assim como um barco quando o seu casco é atingido e entra água no seu porão e afunda. Por isso, não deixemos que venham entrar em nosso coração os problemas dessa vida, entreguemos a Deus.

A EXPLORAÇÃO DOS PROBLEMAS VIVENCIAIS

Infelizmente as pessoas vêm para Deus pelo que ele pode oferecer e esse tipo de atividade tem crescido muito com o surgimento do neopentecostalismo. A exploração tanto ocorre por parte do povo como por parte dos líderes. Dessa vez quero admoestar por parte do povo, pois dos líderes já sabemos. A algum tempo pensei que o povo era ludibriado, mas não, o povo é mais explorador ainda. E isso não é de hoje. No tempo de Cristo, quando ele esteve entre nós, podemos constatar que a multidão dos que vinham até Cristo, não davam nenhuma importância aos valores eternos, mas apenas aos materiais. Concluímos isso rapidinho numa leitura compassada de João 6.24-69. Vejamos algumas frases chaves desse trecho:

“viu a multidão que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, tomaram os barcos e partiram para Cafarnaum à sua procura”. (v.24). Quando se oferece valores materiais ao povo é provável surgir rapidamente uma multidão de seguidores. Por isso as igrejas que se focam nisso se abarrotam de gente. Pessoas apegadas em valores materiais.

“vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes”. (v.26). Na frase “vistes sinais” o verbo “ver” é tradução do grego “eido” que nesse contexto quer dizer “discernir, notar”. Aquela multidão não discerniu os milagres de Cristo, apenas os queriam. Isso é a exploração. Na versão NTLH diz: “vocês estão me procurando porque comeram os pães e ficaram satisfeitos e não porque entenderam os meus milagres”.

“Porque o pão que Deus dá é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”. (v.33). Jesus centraliza nos valores eternos. Enquanto que a multidão se focava nos materiais. O milagre da multiplicação dos pães foi para revelar que ele era o pão vivo que desceu do céu. Porém, a multidão olhava apenas para a necessidade deles. Pouco importava quem era Jesus, e sim se ele faria um novo milagre.
Muitas denominações e ministérios têm colocado a solução dos problemas vivenciais como a mensagem central, gerando grandes transtornos a pregação do evangelho e a igreja de Cristo. Veja os prejuízos:

1 – O aumento de pessoas egoístas na igreja;
A probabilidade de virem pessoas que querem realmente valores eternos para denominações, ministérios onde o centro de suas mensagens seja a solução de problemas vivenciais, valores materiais, é quase zero. A tendência é se encher de pessoas egoístas, interesseiras. Veja a multidão que concorria por Jesus.

2 – Jesus vira produto de mercado;
As pessoas virão a Cristo pelo que ele pode dar, principalmente quando o seu representante se comporta como um curandeiro. Tratarão aquele ministério como uma empresa. E não se engane; no mundo do comércio um cliente é fiel aquele estabelecimento até que apareça outro em que a oferta seja melhor.

3 – Falta de conhecimento do verdadeiro evangelho e da fé cristã;
É óbvio que quando se passa o tempo todo de um ministério se focando em problemas vivenciais a explanação do verdadeiro evangelho vai sendo protelada, o conhecimento da fé cristã também. As pessoas ficarão como aquele eunuco antes de Filipe evangelizá-lo. Estava com as Escrituras nas mãos, mas não entendia. Veja o diálogo deles: “Correndo Filipe, ouviu-o ler o profeta Isaías e perguntou: Compreendes o que vens lendo? Ele respondeu: Como poderei entender, se alguém não me explicar?”. (At.8.30,31).

4 – O surgimento de pessoas decepcionadas com Deus;
Como aprendemos aqui, os problemas vivenciais fazem parte da vida terrena. Todavia, muitos representantes de Cristo aparecem prometendo prosperidade para todos; saúde para todos; o encerramento dos problemas da vida. Porém, muitas dessas promessas são frustradas. Então, essas pessoas nunca mais querem saber de Deus ou de Cristo. Se você ler o livro “Decepcionados com a Graça” encontrará o registro e constatação de muitas decepções provindas de ministros de cultos irresponsáveis.

5 – A diminuição na salvação de vidas.
Veja aquela multidão que seguiu Jesus porque multiplicou os pães. Jesus disse para ela: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer…” (Jo.6.44). Disse isso porque a multidão não veio a Jesus por quem ele é, e sim pelo que ele podia fazer; esse tipo de aproximação não é de convertidos, e como não eram convertidos, não eram salvos. Apenas um amontoado de perdidos. Cadê as vidas convertidas? Difícil de encontrar no meio dessa multidão, por quê? Porque não lhes foram apresentados os valores eternos. Veja que Jesus fizera aquele grande prodígio da multiplicação dos pães e dizia: “Eu sou o pão que desceu do céu”. A multidão, porém dizia: “Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. E diziam: Não é este Jesus, o filho de José? Acaso, não lhe conhecemos o pai e a mãe? Como, pois, agora diz: Desci do céu?” (idem 41,42). Um ministério pautado nos problemas vivenciais pode deixar a igreja cheia, mas com o ônus de pessoas vazias.
Talvez você esteja se perguntando: como então tratar dos problemas vivenciais? Como um cristão deve tratar essa questão?

SUPERANDO OS PROBLEMAS VIVENCIAIS. A Bíblia responde:

1 – Olhando para Cristo: “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma”. (Hb.12.2,3).
Quando estiver passando por seus problemas, olhe para o que Cristo passou. O que ele suportou na cruz. Veja que a cruz dele foi muito mais pesada do que a sua.

2 – Alegrando-se na esperança: “regozijai-vos na esperança, sedes pacientes na tribulação, na oração, perseverantes”. (Rm.12.12).
Olhe para o amanhã, o melhor de Deus ainda está por vir. Se foque no futuro glorioso da morada celestial. Onde não haverá dor, nem pranto, nem luto, nem sofrimento. Tenha esperança de que Deus trará uma resposta para o teu problema. Então, você terá paciência para suportar as tribulações da vida, e vai perseverar em ficar orando a Deus, apresentando a ele todas as suas necessidades.

3 – Lembrando-se que todas as coisas servem aos propósitos de Deus: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. (Rm.8.28).
Quando temos em mente que Deus é o SENHOR. Como disse a Moisés: EU SOU. Vai descansar em sua soberania. E que se amamos a Ele, não apenas algumas coisas, ou só as coisas boas, vão cooperar para o nosso bem. Mas, também as coisas ruins! Todas as coisas inclui tudo, o bom e o ruim. Deus tem poder de transformar essa tua aflição em algo de bom que possa edificar a sua vida. Trazer-te experiência, perseverança e confiança.

4 – Sabendo que nada separa o cristão do amor de Deus: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? […] Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. (Rm.8.35,38,39).
Saiba que por você está doente, desempregado, divorciado, com brigas no lar, endividado, com o carro quebrado, perdeu algum bem material, com filho nas drogas, marido no álcool, etc., que Deus não ama você. Deus ama você independente de todas essas coisas. E esses problemas vivenciais não te separam do amor de Deus! Quando virem os problemas da vida, não fique pensando que Deus deixou de ti amar.

5 – Por meio do amor de Deus o cristão supera todas as aflições: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou”. (idem v.37).
Muitas vezes pensamos que ser mais que vencedor é ter uma vitória elevada ao quadrado. Ou duais vezes mais vitórias. Não! Ser mais do que vencedor é ter superação em meios aos problemas da vida. Veja os atletas, quando sofrem fraturas, lutam pela recuperação, se esforçam para superar aquela deficiência, e quando completam aquele período são considerados símbolos de superação. O troféu fica pequeno, os prêmios tornam-se irrisórios diante daquela superação. O cristão, por meio do amor de Deus em sua vida, tudo o que ele passa de problema é superado com fé, esperança e amor.

6 – Buscando o Deus de toda a consolação: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus”. (2Co.1.3,4).
Quando se busca a Deus, não pelo que ele faz, mas por quem ele é. Há consolação. Jesus disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. (Mt.11.28). Jesus nos promete aliviar todo o cansaço e sobrecarga produzido pelo pecado e pelos problemas vivenciais. O conforto de Deus é tão poderoso, que segundo o texto que citei mais acima, podemos “consolar os que estiverem em qualquer angústia”. Ele toma justamente quem passou por uma aflição para ser usado a consolar outro. Deus seja louvado!

7 – Entendendo que os problemas vivenciais se tornam provas de fé: “Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo”. (1Pe.1.6,7).
Se você leu bem o texto não preciso dizer muita coisa aqui. Todavia, veja: o apóstolo Pedro pede para que venhamos a nos exultar pelas várias provações, isto é, vários problemas vivenciais que passamos, pois são verdadeiras provas de nossa fé. E diz mais, que depois confirmando que fomos fiéis, não blasfemamos de Deus, mas suportamos as aflições, será confirmado o valor da nossa fé assim como acontece com o ouro, que quando passado pelo fogo se torna mais valoroso. Portanto, se alegre quando estiver passando por aflições da vida, levante a cabeça, isso que você está passando dará aperfeiçoamento e prova de sua fé.

Conclusão

Se você quer ficar rico, ter muito dinheiro, gozar de uma boa saúde, solucionar os problemas vivenciais, a igreja não é lugar para isso. Faça o seguinte: estude bastante, trabalhe, que você vai ter dinheiro, prosperidade, etc. Tenha uma boa alimentação, visite regularmente um médico, pratique exercícios físicos, beba bastante água que vai ter uma boa saúde. As demais coisas entregue a Deus e descanse. Aprenda com as lições que citei acima. Agora, só procure uma igreja se você realmente quer buscar a Deus por quem ele é, adorá-lo, servi-lo, ouvir a pregação de Sua Palavra, ter comunhão da fé com outras pessoas, buscar os valores celestiais, eternos, pois o que resta aqui são coisas passageiras. A igreja deve orar pelos seus problemas, pelos enfermos, ajudar os necessitados, etc.? Sim, mas igreja não é um lugar focado nessas coisas. Imaginemos um trem com vários vagões. O trem da igreja não são essas coisas, elas são os vagões. A igreja aponta para cima, para Deus, para a vida eterna, para a salvação: arrependimento dos pecados, conversão, novo nascimento, a redenção gloriosa do corpo mortal que se consumará na manifestação de seu Senhor: Jesus Cristo. Ele não é remédio, nem trampolim de sucesso financeiro, nem um guru de mensagens de autoajuda e nem um coach. Ele é o Salvador.

PORQUE ELES PREGARAM JESUS O CRISTO?

Você já parou para pensar sobre isso? O que levou homens e mulheres judeus a afirmar que Jesus é o Messias? O Cristo? Porque eles pregaram ser Jesus o Cristo?

Aquele citado por Moisés:

“O SENHOR, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás […] Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. De todo aquele que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, disso lhe pedirei contas.” (Deuteronômio 18:15,18-19 ARA).

Aquele citado pelos profetas:

“Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo. Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR. Deleitar-se-á no temor do SENHOR; não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos; mas julgará com justiça os pobres e decidirá com equidade a favor dos mansos da terra; ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará o perverso.” (Isaías 11:1-4 ARA).

Muitos fatos na vida dos primeiros seguidores de Jesus nos mostram que eles tinham mais razões para não pregarem Jesus o Cristo. Analisemos:

1) Como eles puderam sustentar a afirmação de que Jesus era o Cristo diante da própria morte?

Eles estavam com suas vidas entregue a morte. Tiveram toda a promessa do estado romano de serem soltos e não mais molestados caso negassem Jesus. Tiveram a oportunidade dos líderes religiosos de negarem Jesus e viverem. Com exceção de João (um dos doze que foi exilado), todos foram mortos por pregarem Jesus o Cristo. Como explicar pessoas morrerem por uma mentira? O que houve com eles para não negarem Jesus o Cristo diante da morte?

Segundo informações da história da igreja e do Novo Testamento: Pedro, André, Alfeu, Filipe, Simão e Bartolomeu foram crucificados, Mateus e Tiago Zebedeu morreram por espada, Tomé morreu transpassado por lança, Tadeu foi morto por flechadas, Tiago, irmão de Jesus, e Estêvão foram apedrejados, Paulo foi decapitado, e tantos outros anônimos morreram, e até o dia de hoje morrem por professar a fé em Jesus o Cristo. Mas, o que nos chama mais a atenção foram aqueles mais próximos, que força motivadora ou que fato notório e convincente que eles presenciaram para não negarem a Jesus o Cristo diante da morte? Não temos outra resposta senão pelo fato de Jesus ter se apresentado vivo, ressuscitado diante deles, e dele realmente ser quem ele afirmou que era e aquilo que o próprio Pedro, um dos doze, reconheceu e disse: “Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (Mateus 16:16 ARA).

2) A crucificação de Jesus. Do que vale um Messias morto para um judeu?

O islamismo nega abertamente a crucificação de Jesus, se você abrir no Alcorão que, creio eu a imprensa mundial não sabe de nada no que nele está escrito, encontrará escrito: “E por dizerem: Matamos o Messias, Jesus, filho de Maria, o Mensageiro de Deus, embora não sendo, na realidade, certo que o mataram, nem o crucificaram, senão que isso lhes foi simulado. E aqueles que discordam, quanto a isso, estão na dúvida, porque não possuem conhecimento algum, abstraindo-se tão somente em conjecturas; porém, o fato é que não o mataram”. (Surata 4.157). Todavia, o historiador judeu Flávio Josefo confirma o fato: “Por volta dessa época viveu Jesus, um homem sábio. Pois ele era capaz de proezas surpreendentes e ensinava as pessoas a aceitar a verdade com alegria. Ele conseguiu converter muito judeus e muitos gregos. Quando Pilatos, ao saber que ele havia sido acusado pelos homens mais influentes entre nós, condenou-o a crucificação, aqueles que o amavam em primeiro lugar não desistiram por sua afeição por ele. E a tribo dos cristãos, assim chamados por causa dele, não desapareceu até hoje”. (Antiguidades Judaicas, 18,63). Outras fontes são dignas de nota: “Este nome (christiani) vem de Cristo, que foi executado sob Tibério pelo procurador Pôncio Pilatus” (Anais, 15,44,3). E ainda: “Na véspera da festa de Páscoa suspenderam Ieshu. Quarenta dias antes gritou o arauto: ele será levado ao apedrejamento porque praticou feitiçaria e porque seduziu Israel e o fez apóstata. Quem tem algo a dizer em sua defesa que venha e o diga. Como nada foi apresentado em sua defesa, ele foi pendurado na véspera da festa de Páscoa…”. (Talmude Babilônico Sinédrio 43a).

Todavia, diferente do que os muçulmanos pensam, os apóstolos, os primeiros seguidores de Jesus eram judeus, e como tais, todos os judeus contemporâneos dos mesmos, esperavam um Messias libertador. Que os libertassem do domínio estrangeiro (Roma). Entretanto, Jesus de Nazaré foi humilhado, preso e morto. Conforme vimos nos relatos históricos supracitados além dos evangelhos e cartas paulinas que também falam sobre isso. Eles (os doze e os demais primeiros discípulos) não pensavam num Messias crucificado, morto. Eles esperavam um Messias governante político. O lamento dos discípulos em Emaús retrata este contexto: “Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam.” (Lucas 24:21 ARA).

Na contramão dos céticos, a crucificação de Jesus não favorece o pensamento judeu da época dos seus primeiros discípulos de quem o Messias deveria ser. Sobre isso relata o historiador: “A ideia predominante era a de que a interferência divina seria concretizada através do Messias, a quem [o Eterno] escolhera – sua agência intermediária […] Outra concepção básica admitida por unanimidade pelo judaísmo era a de que a Era Messiânica acarretaria a submissão do mundo ao governo [do Eterno] e seu Eleito”. (H. E. Dana).

Muitos morrem por uma “boa causa”, todavia, a “boa causa” dos seus primeiros seguidores havia morrido. O que levou eles a recobrarem o ânimo e pregarem Jesus o Messias? Não existe outra resposta a altura deste questionamento senão o que relata os evangelhos, ele ressuscitou dentre os mortos após três dias da sua crucificação e apareceu vivo diante deles:

“Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.” (1 Coríntios 15:3-4 ARA)

3) O testemunho de Paulo, o fariseu e perseguidor da igreja. O que fez um homem dentro da religiosidade judaica e perseguidor da igreja se tornar o maior pregador dentre os primeiros discípulos e testemunha de Jesus o Messias?

Como explicar uma pessoa tão veemente contrária ao cristianismo repentinamente se tornar um pregador daquilo que ele detestava? Vamos conferir o seu próprio depoimento quando esteve perante autoridades romanas segundo o relato de seu companheiro de viagem: Lucas. Confira:

“Na verdade, a mim me parecia que muitas coisas devia eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno; e assim procedi em Jerusalém. Havendo eu recebido autorização dos principais sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e contra estes dava o meu voto, quando os matavam. Muitas vezes, os castiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar. E, demasiadamente enfurecido contra eles, mesmo por cidades estranhas os perseguia. Com estes intuitos, parti para Damasco, levando autorização dos principais sacerdotes e por eles comissionado. Ao meio-dia, ó rei, indo eu caminho fora, vi uma luz no céu, mais resplandecente que o sol, que brilhou ao redor de mim e dos que iam comigo. E, caindo todos nós por terra, ouvi uma voz que me falava em língua hebraica: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões. Então, eu perguntei: Quem és tu, Senhor? Ao que o Senhor respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda, livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim. Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial, mas anunciei primeiramente aos de Damasco e em Jerusalém, por toda a região da Judeia, e aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento. Por causa disto, alguns judeus me prenderam, estando eu no templo, e tentaram matar-me. Mas, alcançando socorro de Deus, permaneço até ao dia de hoje, dando testemunho, tanto a pequenos como a grandes, nada dizendo, senão o que os profetas e Moisés disseram haver de acontecer, isto é, que o Cristo devia padecer e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, anunciaria a luz ao povo e aos gentios.” (Atos 26:9-23 ARA).

Não temos outra coisa a fazer senão reconhecer que Jesus foi crucificado, morto e ressuscitado dentre os mortos. Está vivo e junto a Deus intercede por nós. O apóstolo Paulo foi testemunha de sua ressurreição, tanto que no relato de sua defesa de ministério apostólico interpela aos cristãos da cidade de Corinto:

“Não sou eu, porventura, livre? Não sou apóstolo? Não vi Jesus, nosso Senhor? Acaso, não sois fruto do meu trabalho no Senhor?” (1 Coríntios 9:1 ARA). Disso sabemos porque os apóstolos tinham essa característica singular da nossa época: a convivência com Jesus e ter presenciado sua ressurreição, conforme registrou Lucas:

“É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição.” (Atos 1:21-22 ARA).

Jesus vive, e intercede por nós junto a Deus:

“Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas,” (Hebreus 1:3 ARA)

“Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.” (Romanos 8:34 ARA)

CONCLUSÃO

Pense nisso, antes de fazer qualquer julgamento sobre Jesus, procure fontes que tirem suas dúvidas primeiro e analise os fatos. Os primeiros discípulos não advogaram em causa própria, nem as circunstâncias colaboraram na direção de seus pensamentos. Antes foi tudo diferente do que eles pensavam, criam e viviam. O que fez eles pregarem Jesus ser o Messias foi transcendente a suas expectativas. Superior a linha de horizonte deles. Creia! Jesus é o Messias. Centenas de profecias do Antigo Testamento hebreu confirmam quem ele é. Confira depois em minhas fontes consultadas e certifique-se de que sua boca confesse a ele agora mesmo e em teu coração creia. O apóstolo Paulo disse:

“Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação.” (Romanos 10:9-10 ARA).

A Deus toda glória!

Fontes consultadas:

Mais que um Carpinteiro. Josh McDowell. Sean McDowell. Editora Hagnos. 2012.

O Mundo do Novo Testamento. H. E. Dana. Editora JUERP. 1980.

http://numinosumteologia.blogspot.com.br/2011/05/registros-da-crucificacao-de-jesus-fora.html

http://solascriptura-tt.org/Cristologia/ProfMessianicasCumpridas-Biblicist.htm

Bíblia Almeida Revista e Atualizada – ARA.

O perfil do líder do século XXI

Desafios e possibilidades no pastorear e ser pastoreado.

A proposta de pensar a psicologia e a espiritualidade é sem dúvida um desafio. Temos observado que a fé e a religião, excluídas das ciências nos últimos séculos, passam novamente a despertar interesse, a ponto de surgirem diversos grupos de estudo e simpósios com este tema. Pesquisadores tanto da área médica quanto emocional buscam as interfaces com outros campos do conhecimento, na inter e transdisciplinaridade e o resultado se faz notar em termos práticos, de novos campos de atuação.

Neste encontro de pastores buscamos mostrar de forma teórico – vivencial como é possível o diálogo entre ciência e fé.

O texto bíblico escolhido como referência diz: “Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a Igreja de Deus.” Atos 20:28.

Ou seja, sem o cuidado de si mesmo não é possível cuidar dos outros. As demandas da atividade pastoral, em qualquer dimensão, geram desgastes físicos, emocionais, espirituais.

É preciso estar atento para se recompor tanto preventivamente quanto terapeuticamente quando necessário.

Utilizamos para estrutura deste pensar sobre si mesmo um pequeno livro, “O Perfil do Líder Cristão do século XXI” do sacerdote e professor de Psicologia Pastoral em Harvard e nas universidades Notre Dame e Yale, escritor e conferencista internacional, falecido em 1996,Henri Nouwen.

Os pontos que ele aborda, a partir dos textos bíblicos da tentação de Jesus no deserto(Mt. 4:1- 11) e o chamado de Pedro (Jo 21: 15-19),são:

1 – Da Relevância à Oração

A tentação: Causar impacto

A pergunta: Você me ama?

A disciplina: Oração contemplativa

Os religiosos são muitas vezes tentados a causar impacto a partir de si mesmos. Ser um sacerdote miraculoso, principalmente no contexto da pobreza, acaba por trazer grande popularidade… satisfazer necessidades humanas, legítimas, nos toca de perto! Nouwen propõe que o impacto se dê pelo afeto, por alguém que se importe, por um pastor que realmente apascenta suas ovelhas. Isto só é possível quando amamos a Deus acima de todas as coisas, quando Ele nos pergunta “Tu me amas?” e respondemos como Pedro “Tu sabes que te amo”! O amor nasce e cresce pela convivência de intimidade, o tempo que passamos na presença de Deus faz a diferença. Nós vamos a Ele e Ele vem a nós. Assim como Pedro, somos amados por Deus em nossa condição, sendo nós ainda pecadores, e a partir da contemplação, da oração, da solitude, somos inundados pela graça de Deus, que nos restaura.

2 – Da popularidade ao ministério

A tentação: Ser espetacular

A tarefa: ”Apascenta minhas ovelhas”

A disciplina: Confissão e perdão

Aprendemos nas Escrituras que Jesus não veio dar espetáculos. Seus milagres eram pura misericórdia para com pessoas necessitadas. Nosso conceito de sucesso é muitas vezes determinado pela mídia. Jesus não buscou ser famoso, Ele tinha um ministério e sabia o que estava fazendo. Ele escolheu pessoas que o acompanharam nesta missão. Pastores precisam aprender a conviver, a não se isolarem. A tarefa de apascentar ovelhas é relacional, envolve afetos. Cuidar das ovelhas feridas, cansadas, levá-las para bons pastos e águas tranqüilas é o que faz um bom pastor. Nouwen destaca que muitos pastores gostam de trabalhar sozinhos, tem dificuldade de repartir problemas e soluções com colegas e sentem-se, eles mesmos, cansados e abandonados. São pastores que precisam ser cuidados.

Pontua que isto se dá quando pastores aprendem a confessar, eles próprios, suas mazelas.

Escreve ele:…”na comunidade cristã, os sacerdotes e ministros são as pessoas que menos confessam os seus erros.” E como Bonhoeffer, ele constata que pela confissão e pelo perdão recupera-se a humanidade, ou seja, a relação não é profissional, mas de ajuda. Sugerimos que os pastores tenham alguém com quem conversar, e mais especificamente, que tenham um supervisor ou mentor, com os quais seja possível tratar tanto de assuntos pessoais, familiares quanto de questões eclesiásticas.

3 – De líder a liderado

A tentação: Ser poderoso

O desafio: “Outro o conduzirá”

A disciplina: Reflexão Teológica

A tentação de ser dominador, de usar o poder para resolver as questões persegue os pastores. Abrir mão do poder para usar do amor é cansativo e complicado, envolve ser o ser o que serve e não o que é servido. Aprender a conviver com o poder sem se deixar corromper é um exercício a ser vivido diariamente. Nouwen destaca que as pessoas que tem menos intimidade e afeto são as que mais controlam. Ao lembrarmos que Jesus ao ser crucificado abdicou do seu poder nos perguntamos: e quem quer a cruz?! O desafio de ser conduzido por outro é um lembrete que talvez nem tudo seja como planejamos… talvez Deus nos conduza por outros meios e caminhos. A disciplina da reflexão teológica é a de pensar com a mente de Cristo. Para ser líder, pastor de uma igreja é preciso aprender a dizer não ao fatalismo, ao desespero, a injustiça à resignação, ter a noção do Kairós frente às dores do mundo.Viver as boas novas da salvação que nos alcança como pessoas, como famílias, como comunidade e sociedade.

Ser liderado por Deus é exercitar seu pastorado pelo encontro com o semelhante, pela oração, pela confissão, pela reflexão teológica. Sem dúvida, é ser inteiro e integrado.

 

Bibliografia especifica:

O Perfil do Líder Cristão no século XXI. Worship Produções – Americana, SP 1993

Bibliografia geral:

Tournier, Paul – Mitos e Neuroses – Desarmonia da Vida Moderna.

SP, ABU Editora/Ultimato – Viçosa, 2002.

Atiencia, Jorge – Pastorear e ser Pastoreado. Curitiba; Encontro, 2000.

Azevedo, Irland Pereira de – De Pastor para Pastor – Um Testemunho Pessoal

Rio de Janeiro. Julho, 2001.

Boff, Leonardo – Saber Cuidar: Ética do humano – Compaixão pela Terra. Petrópolis;

Vozes, 2001.

Hoch, Lothar Carlos (texto avulso) – O Pastor como Pessoa – Uma conversa franca com

obreiros e obreiras da ICLB em Joinvile – 20/09/2001.

Yancey, Philip – Maravilhosa Graça – SP; Vida, 2001.

Nouwen, Henri – A volta do filho pródigo – A historia de um retorno para casa – SP;

Paulinas, 1997.

Boenhoeffer, Dietrich – Vida em Comunhão – São Leopoldo; Sinodal, 1997.

Todos somos sacerdotes

Não é necessário ser um conhecedor profundo da história eclesiástica para saber que, do ponto de vista teológico, a Reforma Protestante do século XVI teve como objetivo principal o retorno da Igreja às Sagradas Escrituras como a base para sua fé e sua vida prática. O episódio mais representativo desta ênfase foi a Dieta de Worms (maio de 1521) convocada pelo imperador Carlos V com o propósito de julgar a Martinho Lutero, que havia sido excomungado previamente como herege pelo Papa Leão por afirmar a autoridade da Bíblia acima da autoridade dos papas e os concílios. Convidado a retratar-se, o reformador alemão respondeu com a seguinte declaração da “sola scriptura, tota scriptura”, uma afirmação que sintetiza a convicção teológica evangélica básica com respeito à centralidade das Escrituras:

“Minha consciência é cativa da Palavra de Deus. Se não me demonstrarem pelas Escrituras e por razões claras (não aceito a autoridade de papas e concílios, pois se contradizem), não posso nem quero retratar-me de nada, porque ir contra a consciência é tão perigoso quanto errado. Que Deus me ajude, Amém.”

Sobre essa base bíblica os reformadores construíram o edifício teológico constituído pelas ênfases evangélicas que se resumem nas seguintes afirmações: somente a Cristo (“solus Christus”), somente a graça (“sola gratia”),somente a fé (“sola fide”), somente a glória de Deus (“soli deo gloria”), a igreja reformada sempre se reformando (“ecclesia reformata semper reformanda”). No entanto, já em 1520, antes da Dieta de Worms, Lutero escreveu três tratados em que expunha sua posição teológica em controvérsia com a sustentada oficialmente pela Igreja Católica Romana: “A liberdade cristã”, “À nobreza alemã acerca do melhoramento do Estado cristão”, e “O cativeiro babilônico”.

Ainda que não negue a necessidade de um ministério “ordenado” por razões funcionais, em seu tratado dirigido à “nobreza alemã” Lutero rejeita a forte divisão tradicional entre clérigos e leigos, e afirma o sacerdócio de todos os crentes (também denominado “sacerdócio comum”) nos seguintes termos:

“Todos os cristãos são em verdade de estado eclesiástico e entre eles não há distinção, se não somente por causa do ministério, como Paulo diz que todos somos um corpo, mas que cada membro tem sua função própria com a qual serve aos demais. Isso resulta do fato de que temos um só batismo, um Evangelho, uma fé e somos cristãos iguais, visto que o batismo, o Evangelho e a fé por si sós tornam eclesiástico ao povo cristão”.

A base bíblica desta posição é sólida. De acordo com o ensino do Novo Testamento, o único sacerdócio válido até o fim da era presente é o sacerdócio de Jesus Cristo, que se ofereceu a si mesmo em sacrifício pelos pecados e “com um só sacrifício tornou perfeitos para sempre aos que está santificando” (Hb 10.14). Todos os que confiam nele têm acesso direto à presença de Deus (10.19-22). Ninguém pode oferecer mais sacrifícios pelo pecado: a obra de redenção está consumada; Jesus Cristo homem é o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5). Em virtude de sua relação com ele, todos os crentes participam de seu sacerdócio: são o sacerdócio do Rei (1Pe 2.9); são “reis e sacerdotes” (Ap 1.5; 5.10). E como tais são chamados a oferecer-se a si mesmos, “em adoração espiritual… como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12.1).

Biblicamente, todo cristão é sacerdote pelo único motivo de ser cristão. A Igreja é um povo sacerdotal. Consequentemente, todos os seus membros foram consagrados ao serviço de Deus, e para realizá-lo receberam “diversos dons”, “diversas maneiras de servir”, “diversas funções” que o Espírito reparte “para o bem dos demais” (1Co 12).

Sobre esta base bíblica, a Reforma Protestante do século XVI abriu o caminho para que cada igreja local seja uma igreja-comunidade que supere a dicotomia entre clérigos e leigos e todos os membros do corpo de Cristo, sem exceção, participem em serviços que manifestem o amor a Deus e ao próximo, de maneira prática. A pergunta que temos que nos fazer hoje é: até que ponto nossas congregações estão comprometidas com o sacerdócio de todos os crentes, levando em conta que “todos os que foram batizados em Cristo se revestiram de Cristo” e, em consequência, “já não há judeu nem gentio, escravo nem livre, homem nem mulher” (Gl 3.27-28)?

Culto ou show?

Faz algum tempo que ao chegar na igreja para celebrar o culto ao Senhor me deparei com algo que me chocou muito, vi um palco iluminado com muitas luzes e até uma máquina de fumaça, lembrei do meu tempo de DJ, parecia uma “discoteca”. Fiquei chocado ao ver aquilo dentro da igreja que pastoreio, além das luzes, entristeceu-me o fato que alguns irmãos simplesmente achavam tudo aquilo não apenas normal, ou pior, gostavam, e creditavam que aquilo pudesse cooperar para atrair pessoas à igreja. Claro que não permiti que o culto ao Senhor se tornasse um show.

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