,

Cristão Bíblico ou Cristão Cultural?

Surgiu toda uma geração de cristãos que acreditam ser possível “aceitar” a Cristo sem renunciar o mundo. A. W. Tozer
Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência. Tiago 1:23-24

Nosso padrão de vida material está alto, mas será que realmente melhoramos de situação? Muitos homens percebem que algo não vai bem em suas vidas, mas não conseguem determinar com clareza o problema. Permanece a sensação estranha de que talvez estejam na corrida errada. Sabem que são financeiramente mais bem-sucedidos que seus pais, mas desconfiam de que podem não estar melhor de vida, O que está realmente acontecendo?

Aproximadamente quarenta anos de consumismo e influência da mídia causaram uma mudança básica nos valores. De maneira geral, vivemos numa cultura dominada pelo conceito de vida secular.
Dois Valores Empobrecidos

O Dr. Francis Schaeffer, em seu livro How Should We Then Live? (Como Devemos Então Viver?), publicado em 1976, observou como as mudanças na arte, na música, no drama, na teologia e na mídia popular afetaram negativarnente os nossos valores.

O Dr. Schaeffer salientou que a maioria das pessoas adotou dois valores empobrecidos; paz pessoal e riqueza. Sua análise perspicaz foi adotada imediatamente como um conceito de consenso porque soava, e soa como verdade. Eis aqui as duas definições práticas que ele dá desses dois valores:

Paz pessoal significa apenas ser deixado em paz, não ficar preocupado com as preocupações das outras pessoas, quer elas estejam do outro lado do mundo, ou do outro lado da cidade — viver a própria vida com possibilidades mínimas de ser incomodado pessoalmente.

Paz pessoal significa querer ter um padrão pessoal de vida sem perturbação durante o tempo em que eu viver, independente dc qual venha à ser o resultado no decorrer das vidas dos meus filhos e netos.

Riqueza significa uma prosperidade esmagadora e cada vez maior — uma vida composta dc coisas, coisas e mais coisas — um sucesso julgado por um nível cada vez mais elevado de abundância material.

Podemos perceber a veracidade das observações do Dr. Schaeffer. Elas nos fornecem uma estrutura que ajuda a explicar muito do que vemos acontecendo no mundo que nos cerca.

Somos atraídos a esses dois valores ao adotarmos o estilo de vida criado pelo mundo, pela mídia.
Um Terceiro Valor Empobrecido

Nas últimos anos tornou-se aceitável  ser conhecido como cristão — ser nascido de novo.

Mas à  medida que se tornou aprovado — até mesmo popular — ser cristão, o preço de se identificar como cristão caiu. Em outras palavras, o risco de ostracismo e o medo de ser taxado de fanático diminuiu, por isso as pessoas podiam identificar-se como “cristãs” com um nível relativamente baixo de risco pessoal. Daí mais e mais pessoas aderirem porque o preço estava mais baixo. Poderíamos dizer que a procura era elástica, baseada no preço.

Mais de 50% das pessoas  acreditam que a religião pode resolver todos ou quase todos os problemas de hoje — muito animador. Muitos  registraram-se como membros de igreja. Hoje no Brasil somos aproximadamente 40 milhões de cristãos.

Aqui está a questão: Se somos quase 40 milhões de cristãos, por que isso não causou maior impacto em nossa sociedade?

A triste realidade é que as alegações de compromisso religioso são numerosas, mas o impacto está menor do que nunca. No exato momento em que os cristãos saíram “às claras”, nossa cultura afundou num esgoto moral.
Como explicar esse fenômeno?

O infeliz resultado dessa popularidade do cristianismo é que um terceiro valor empobrecido evoluiu: o cristianismo cultural. Podemos defini-lo da seguinte forma:

Cristianismo cultural significa buscar o Deus que queremos em vez do Deus que Ele é.

É a tendência à superficialidade em nossa compreensão de Deus, desejando que ele seja mais do tipo vovô bonzinho que nos mima e nos deixa fazer o que queremos.

É sentir uma necessidade de Deus, mas dentro das condições por nós estabelecidas.

É desejar o Deus que sublinhamos em nossas Bíblias sem querer também o restante dele.

É o Deus relativo em vez do Deus absoluto.

Cristianismo cultural é cristianismo tornado impotente.

É cristianismo com pouco ou nenhum impacto sobre os valores e crenças de nossa sociedade. Quando o conceito de vida secular é incorporado ao conceito de vida cristão, nenhum dos dois sobrevive

O cristianismo cultural requer que Deus nos conceda paz pessoal e riqueza para provar que ele nos ama.

É o Deus amor, mas não o Deus santo. Na realidade, Deus nos ama tanto que limpará o cristianismo cultural de nossas vidas, assim como o ourives purifica a prata queimando a impureza.

Como os brinquedos mutáveis com que as crianças brincam, freqüentemente queremos que Deus seja ajustável — que se adapte aos nossos caprichos em vez de nós nos adaptarmos a Ele.

Olhe por um momento o seu estilo de vida.

Até que ponto você acha que esses três valores — paz pessoal, riqueza e cristianismo cultural — descrevem sua própria vida?

Qual tem sido o resultado desse cristianismo cultural, adaptável, em sua vida?

0 respostas

Deixe uma resposta

Promova o debate!
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *