Como Lutero e Calvino entendiam a autoridade e inerrância bíblica? – Igreja Gileade de Juazeiro do Norte

Como Lutero e Calvino entendiam a autoridade e inerrância bíblica? – Igreja Gileade de Juazeiro do Norte

Nota do Editor: Este artigo é um recurso selecionado para a Semana da Inerrância Bíblica do Ministério Fiel e Voltemos ao Evangelho, uma semana onde estivemos, juntos com a igreja verdadeira, proclamando a inerrância, suficiência e autoridade da Bíblia, que é a Palavra de Deus. Pedimos ao nosso colunista mais assíduo do blog, o Reverendo Hermisten Maia, para escrever sobre o assunto; ele então nos presenteou com mais uma de suas séries, trazendo profundidade ao tema! Desfrute e compartilhe destes conteúdos e tenha sua fé na inerrante Palavra de Deus fortalecida!


Lutero

A posição de Lutero (1483-1546), firmada em 1519, é representativa:[1]

Tenho aprendido a atribuir a honra da infalibilidade apenas aos livros aceitos como canônicos. Estou profundamente convencido de que nenhum desses escritores errou. Todos os outros escritores, por mais que se tenham distinguido em santidade ou em doutrina, eu os leio da seguinte forma: Avalio o que eles dizem, não com base no fato de eles mesmos acreditarem que uma coisa é verdadeira, mas apenas na medida em que são capazes de me convencer por meio da autoridade dos livros canônicos ou por uma razão clara.[2]

Anos mais tarde, diria:

Um teólogo deve estar em completa posse da base e fonte da fé – isto significa dizer as Sagradas Escrituras. Foi armado com esse conhecimento que confundi e silenciei todos meus adversários; pois eles não buscam sondar e compreender as Escrituras, antes, percorrem-nas negligente e apaticamente; eles falam, escrevem e ensinam de acordo com as sugestões de sua imaginações descuidadas.[3]

Melanchthon (1497-1560), que foi bastante próximo e admirado por Lutero[4] e que  mais tarde tornou-se também amigo de Calvino, em 19 de setembro de 1519, respondendo a questões para obter o Baccalaureus biblicus (Prelecionador bíblico), afirma: “Não é necessário para um católico crer em quaisquer outros artigos de fé que não aqueles dos quais a Escritura é testemunha. A autoridade dos concílios está abaixo da autoridade das Escrituras”.[5]

Os dizeres da Confissão Gaulesa (Capítulo 5) resumem bem o espírito que orientou a aceitação dos Credos pelos Reformadores:

Concluímos que nem a antiguidade, nem os costumes, nem a maioria, nem sabedoria humana, nem julgamentos, nem prisões, nem as leis, nem decretos, nem os concílios, nem visões, nem milagres podem se opor a esta santa Escritura, mas ao contrário, todas as coisas devem ser examinadas, regulamentadas e reformadas por ela. Neste espírito, nós reconhecemos os três símbolos, a saber:         O Credo dos Apóstolos, de Nicéia, e de Atanásio, porque eles estão de acordo com a Palavra de Deus.[6] (Destaques meus).

Do mesmo modo, declararia posteriormente (1580), a Fórmula Concórdia:

Cremos, ensinamos e confessamos que somente os escritos proféticos e apostólicos do Antigo e do Novo Testamento são a única regra e norma, segundo a qual devem ser atualizadas e julgadas, igualmente, toda as doutrinas e todos os mestres. (…) Outros escritos, entretanto, dos antigos ou dos novos mestres, seja qual for o nome deles, não devem ser equiparados à Escritura Sagrada, porém, todos lhe devem ser completamente subordinados. (…) Dessa maneira, retém-se a distinção entre a Sagrada Escritura do Antigo e do Novo Testamento e todos os demais escritos, ficando somente a Escritura Sagrada como o único juiz, regra e norma, de acordo com que, como única pedra de toque, todas as doutrinas devem e têm de ser discernidas e julgadas quanto a serem boas ou más, correta ou incorretas. Os demais Symbola, todavia, e os outros escritos citados, não são juízes como o é a Escritura Sagrada….[7] (Destaques meus).

Este princípio permaneceu com grande vitalidade nos sistemas reformados, inclusive, como princípio metodológico na reflexão e elaboração teológica.[8]

João Calvino

Calvino seguiu de perto essa compreensão comum na tradição da igreja e, também, sustentada entre os Reformadores. Ele estava convicto de que os profetas não falaram aleatoriamente o que pensavam, antes, “testificaram a verdade de que era a boca do Senhor que falava através deles”.[9]

Ainda que Calvino não tenha detalhado esse assunto no que se refere ao processo de inspiração, um conceito fica claro em seus escritos: os autores secundários das Escrituras não foram simplesmente autômatos. Deus se valeu livre e soberanamente de seus conhecimentos e personalidade. Contudo, tudo que foi escrito o foi conforme a vontade de Deus.

Os profetas e apóstolos tiveram em seus corações “gravada a firme certeza da doutrina, de sorte que fossem persuadidos e compreendessem que procedera de Deus o que haviam aprendido”.[10]

Em outro lugar:

Eis aqui o princípio que distingue nossa religião de todas as demais, ou seja: sabemos que Deus nos falou e estamos plenamente convencidos de que os profetas não falaram de si próprios, mas que, como órgãos do Espírito Santo, pronunciaram somente aquilo para o qual foram do céu comissionados a declarar. Todos quantos desejam beneficiar-se das Escrituras devem antes aceitar isto como um princípio estabelecido, a saber: que a lei e os profetas não são ensinos passados adiante ao bel-prazer dos homens ou produzidos pelas mentes humanas como uma fonte, senão que foram ditados pelo Espírito Santo.[11]

Em outro momento, comentando 1Pe 1.11:

Em primeiro lugar, “que estava neles”; e, em segundo lugar, “testificando”; isto é, dando testemunho, expressão que ele usa para notificar que os profetas eram revestidos com o Espírito de conhecimento, e realmente de maneira incomum, como aqueles que foram nossos mestres e testemunhas, e contudo não foram participantes daquela luz que nos é exibida. Ao mesmo tempo, um alto louvor é atribuído a sua doutrina, pois este era o testemunho do Espírito Santo; os pregadores e ministros eram homens, ele, porém, era o mestre. Tampouco declara sem razão que o Espírito de Cristo então governava; e faz do Espírito, enviado do céu, aquele que preside sobre os mestres do evangelho, porquanto mostra que o evangelho vem de Deus, e que as profecias antigas eram ditadas por Cristo.[12]

Puckett argumenta em prol do conceito de Calvino concernente à participação humana no registro das Escrituras:

Os comentários de Calvino, sobre o estilo literário do texto bíblico, refletem sua crença que a mente dos autores humanos permaneciam ativas na produção da Escritura. Ele atribui variações de estilos pelo fato de que vários escritores são responsáveis por diferentes porções da Bíblia. Ele rejeita a autoria Paulina da epístola de Hebreus[13] porque ele encontra estilos diferentes entre esta e as epístolas que ele crê serem genuinamente Paulinas.[14]

Calvino, em citação já feita, entende que nas Escrituras tem-se todos os livros que Deus quis que fossem preservados[15] para a edificação do crente:

Aquelas [epístolas] que o Senhor quis que fossem indispensáveis à sua Igreja, Ele as consagrou por sua providência para que fossem perenemente lembradas. Saibamos, pois, que o que foi deixado nos é suficiente, e que sua insignificância não é acidental; senão que o cânon das Escritura, o qual se encontra em nosso poder, foi mantido sob controle através do grandioso conselho de Deus.[16]

A Questão hermenêutica

A questão da interpretação bíblica sempre foi o ponto nevrálgico em toda a história da teologia.[17] Na Reforma deu-se uma mudança de quadro de referência. Por isso, podemos falar deste movimento como tendo um de seus pilares fundamentais a questão hermenêutica.[18] O “eixo hermenêutico” desloca-se da tradição da igreja para a compreensão pessoal da Palavra, contudo, sem desprezar aquela. Há aqui uma mudança de critério de verdade que determina toda a diferença.

No entanto, conforme acentua Popkin (1923-2005), Lutero inicialmente confrontou a igreja dentro da perspectiva da própria tradição da igreja, somente mais tarde é que ele

Deu um passo crítico que foi negar a regra de fé da Igreja, apresentando um critério de conhecimento religioso totalmente diferente. Foi neste período que ele deixou de ser apenas mais um reformador atacando os abusos e a corrupção de uma burocracia decadente, para tornar-se o líder de uma revolta intelectual que viria a abalar os próprios fundamentos da civilização ocidental.[19]

Acomodação graciosa de Deus

Considerando a distância qualitativa entre Deus e o homem, Calvino sustenta que Deus em sua graça se acomoda à nossa compreensão, se adaptando de forma condescendente à nossa limitação.[20] Empregando as palavras de Calvino, Deus na sua revelação “se acomodava[21] à nossa capacidade”,[22] balbuciando a sua Palavra a nós como as amas fazem com as crianças.[23]

Deus se vale de analogias, recorrendo a metáforas – comparando-se a um leão, ao urso e ao homem –, visando ser entendido por nós.

Quando o Senhor às vezes se compara a um leão, a um urso, a um homem, ou a outros objetos, isto nada tem a ver com imagens, como imaginam os papistas, senão que, por meio de tais metáforas, ou a benignidade e mercê de Deus, ou sua ira e desprazer, e outras coisas da mesma natureza se expressam. Pois Deus não pode revelar-se a nós de qualquer outra maneira senão por meio de uma comparação com coisas que conhecemos.[24]

Por exemplo, quando Deus se compara a um homem embriagado – “excitado pelo vinho” (Sl 78.65) –, assumindo um caráter totalmente estranho ao seu, Calvino diz que Ele se acomoda “à estupidez do povo”.[25] Ou seja: Deus adapta-se à linguagem humana e “ao nível humano de compreensão”.[26] “…. Deus, acomoda-se ao nosso modo ordinário de falar por causa de nossa ignorância, às vezes também, se me é permitida a expressão, gagueja”.[27]  Resumindo: “Em Cristo, Deus, por assim dizer, tornou-se pequeno, para acomodar-se à nossa compreensão”.[28] “O Senhor Jesus (…) acomoda de algum modo Suas palavras à capacidade deles….”.[29]

Portanto, quando lemos as Escrituras, “somos arrebatados mais pela dignidade do conteúdo que pela graça da linguagem”.[30]

Calvino observa, contudo, que os homens incrédulos sempre procuram uma desculpa para a sua impiedade:

Se Deus, acomodando-se à tacanha capacidade dos homens, fala num estilo humilde e acessível, esse método de ensino é desprezado como simples demais; porém, se ele se manifesta num estilo mais elevado, com vistas a imprimir maior autoridade à sua Palavra, os homens, com o intuito de eximir-se de sua ignorância, dirão que ela é obscura demais. Como esses dois vícios são por demais prevalecentes no mundo, o Espírito Santo assim tempera seu estilo, para que a sublimidade das verdades que ele ensina não fique oculta daqueles que porventura sejam de uma capacidade mais débil, contanto que sejam de uma disposição submissa e dócil e tragam consigo um desejo solícito de ser instruídos.[31]


[1] Embora saibamos que a posição de Lutero não seja sempre clara em seus diversos escritos, assumindo posições multifacetadas (Cf. Richard A. Muller, Post-Reformation Reformed Dogmatics, v. 2 – Holy Scripture: The cognitive foundation of theology, Grand Rapids: Baker Academic, 2003, p. 66ss.). Ilustro.  Lutero tinha um critério próprio para avaliar a importância dos livros Canônicos. Ele expõe o seu critério no Prefácio de Tiago (1546), dizendo: “Esta é, também, a verdadeira pedra de toque para se criticar todos os livros: verificando se eles promovem Cristo ou não, uma vez que toda Escritura aponta para Cristo, Rm 3. E S. Paulo só quer saber de Cristo, 1 Coríntios 2. O que não ensina Cristo ainda não é apostólico, mesmo que S. Pedro ou Paulo o ensinem. Por outro lado, o que prega a Cristo seria apostólico, mesmo que fosse feito por Judas, Anás, Pilatos e Herodes” (Martinho Lutero, Prefácio às Epístolas de S. Tiago e Judas: In: Martinho Lutero: Obras Selecionadas, São Leopoldo; Porto Alegre, RS.: Comissão Interluterana de Literatura; Sinodal; Concórdia, 2003, v. 8, p. 154).

            Foi partindo deste princípio,  subjetivo e insatisfatório em sua aplicação, que Lutero atreveu-se a traçar um grau de importância entre os Livros, especialmente nos do Novo Testamento. Desta forma, no seu Prefácio ao Novo Testamento (1522), escreveu: “Pois o Evangelho segundo João e as epístolas de Paulo, em especial, aquela aos Romanos e a Primeira Epístola de Pedro são o bom cerne e a medula dentre todos os livros. Esses deveriam, perfeitamente, ser os primeiros. (…) Também as epístolas de Paulo e Pedro superam, em muito, os três evangelhos de Mateus Marcos e Lucas. (…) O Evangelho segundo João e sua primeira epístola, as epístolas de Paulo, particularmente, as dirigidas aos romanos, aos gálatas, aos efésios e a Primeira Epístola de Pedro, são livros que te apresentam Cristo e te ensinam tudo que é necessário e bom saber, ainda que jamais visses ou desses ouvidos a qualquer outro livro ou doutrina. Por isso, a Epístola de Tiago é uma epístola de palha comparada às outras, pois ela, de qualquer forma, não tem característica evangélica” (Martinho Lutero, Prefácio ao Novo Testamento: In: Martinho Lutero: Obras Selecionadas, São Leopoldo; Porto Alegre, RS.: Comissão Interluterana de Literatura; Sinodal; Concórdia, 2003, v. 8, p. 127). Falando ainda sobre a Epístola de Tiago diz: “Não a considero escrito apostólico” porque contraria os escritos de Paulo, Pedro e as demais Escrituras. Supõe também que Tiago teria vivido muito tempo depois de Pedro e Paulo. (Martinho Lutero, Prefácio às Epístolas de S. Tiago e Judas: In: Martinho Lutero: Obras Selecionadas, v. 8, p. 153-154). Quanto ao Apocalipse, seguindo a dúvida e ambiguidade de Eusébio (Eusébio de Cesárea, História Eclesiástica, Madrid: La Editorial Católica, S. A. (Biblioteca de Autores Cristianos, v. 349 e 350), III.25.2,4; III.39.6; VII.25.1ss.) e, talvez a Erasmo, que tinha a mesma posição (Cf. W. G. Kümmel, Introdução ao Novo Testamento, São Paulo: Paulinas, 1982, p. 620: B. F. Westcott, El Cânon, Barcelona: CLIE, [s.d.], p. 231-232), não o considerava nem apostólico nem profético. “Tendo em vista essa interpretação incerta a esse sentido oculto, nós, até agora, também o deixamos de lado….” (Martinho Lutero, Prefácio ao Apocalipse de S. João: In: Martinho Lutero: Obras Selecionadas, São Leopoldo; Porto Alegre, RS.: Comissão Interluterana de Literatura; Sinodal; Concórdia, 2003, v. 8, p. 155). Deve ser dito que Zuínglio, que fora discípulo de Erasmo na juventude (Cf. Timothy George, Teologia dos Reformadores, p. 111; B. Hägglund, História da Teologia, Porto Alegre, RS.: Casa Publicadora Concórdia, 1973, p. 220),  jamais pregou sobre o Apocalipse, justamente por ter dúvida quanto à sua autenticidade (Cf. G. R. Potter, Zwingli, Cambridge: Cambridge University Press, 1976, p. 61). Os comentários de Calvino, ainda que não saibamos o motivo, de quase toda a Escritura também não incluem o Apocalipse (Ele não entendia?), pretendia tratar do Apocalipse quando terminasse Ezequiel, porém, morreu antes de concluir, indo apenas até Ez 20.44 (02.02.1564)? (Veja-se: W. de Greef, The Writings of John Calvin: An Introductory Guide, Grand Rapids, Michigan:  Baker Book House, 1993, p. 109). Não sei. Pessoalmente, no caso de Calvino, a minha opinião é que ele não teve tempo para se deter nesse livro ou,  explicando de forma complementar, não foi a sua prioridade considerando a necessidade de seu rebanho e de seus amigos que precisavam de apoio, orientação e instrução. (Vejam-se algumas interpretações a respeito dessa omissão, e as palavras ponderadas de  Reuss (1804-1891) e Warfield (Eduard Reuss, History of the Canon of the Holy Scriptures in the Christian Church,  Edinburgh, Gemmell. Edição do Kindle. p. 318-319 (Posição: 5629 de 7073);  B.B. Warfield, Calvin and Calvinism, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House (The Work’s of Benjamin B. Warfield), 2000 (Reprinted), v. 5, p. 49-52; Irena Backus, Reformation Readings of the Apocalypse: Geneva, Zurich and Wittenberg, New York: Oxford University Press, 2000, p. 71-73). Além disso, a preocupação dos primeiros reformadores estava dirigida para outros pontos da teologia além de considerarem tenebrosas as especulações dos fanáticos de sua época (Quanto a isso, veja-se:  (H. Quistorp,  Calvin’s Doctrine of the Last Things,  Eugene, Oregon: Wipf & Stock, © 1955, 2009, p. 11-13; David E. Wolwerda, Eschatology and History: A Look at Calvin’s Eschatological Vision. In: David E. Holwerda, ed., Exploring the Heritage of John Calvin, Grand Rapids, Michigan: Baker, 1976, p. 110-139).

No que ser refere à opinião de Lutero a livros do Antigo Testamento, podemos encontrar o sumário de algumas de suas posições em: Martinho Lutero, Conversas à Mesa, Brasília, DF.: Monergismo, 2017, p. 24-27.

 Referindo-se ao critério de Lutero para identificar um livro profético ou apostólico, observou Harrison (1920-1993): “Por razões óbvias, esta norma não se podia aplicar diretamente ao Antigo Testamento sem alguma dificuldade, e foi principalmente devido a isto que Lutero nunca empreendeu uma revisão do cânon do Antigo Testamento, ainda que em forma uniforme enfatizasse que o próprio Antigo Testamento reclamava seu sentido mais pleno em proporção à medida em que apontava para o evangelho de Cristo” (R. K. Harrison, Introduccion al Antiguo Testamento, Jennison, Michigan: T.E.L.L., 1990, v. 1, p.18).

[2] Martinho Lutero, WA, 2.618. Apud  John W. Montgomery, Lessons from Luther on the Inerrancy of Holy Writ: In: John W. Montgomery, ed., God’s Inerrant Word: An International Symposium on the Trustworthiness of Scripture,  Minneapolis: Bethany Fellowship, ©  1974, 2015, (p. 65-95), p. 86.

[3]Martinho Lutero, Conversas à Mesa, Brasília, DF.: Monergismo, 2017, # 5, p. 15.

[4] Veja-se por exemplo: Martinho Lutero,  Conversas à Mesa,  Brasília, DF.: Monergismo, 2017, p. 25, 35. Lutero, como já fizera nas indicações acima, traça uma diferença entre ele e seu grande e admirado amigo: “Meu espírito é tosco, barulhento e tempestuoso. Sou o rude derrubador de mato, que precisa abrir picada. O mestre Filipe, no entanto, passa por ali de maneira refinada e calma, semeia e irriga com prazer…” (Apud Ricardo W. Rieth, O pensamento teológico de Filipe Melanchthon (1497-1560). In: Estudos Teológicos, São Leopoldo, RS., v. 37, n. 3, 1997, [p. 223-235], p. 224). (Disponível em: http://periodicos.est.edu.br/index.php/estudos_teologicos/article/view/798/729).

[5]Cf. Mark D. Thompson, Sola Scriptura: In: Matthew Barrett, ed. Teologia da Reforma, Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2017, [p. 129-164], p. 142-145. Vozes como essa já brotavam aqui e ali entre alguns líderes católicos. Vejam-se alguns exemplos: Timothy George, Lendo as Escrituras com os reformadores: como a Bíblia assumiu o papel central na Reforma religiosa do século XVI, São Paulo: Cultura Cristã, 2015, p. 89.

[6]Wallace (1911-2006) acentua que Calvino “sempre insistiu que a tradição precisava ser constantemente corrigida pelo ensino das Sagradas Escrituras e ser subordinada a elas. Porém, ele sempre foi cuidadoso e criterioso em examinar minuciosamente dentro da tradição o que devia ser rejeitado e o que devia ser aceito. Ninguém foi mais obstinado em manter aquilo que ele tinha experimentado como algo bom, qualquer que fosse sua origem, contanto que sua retenção não atrapalhasse a total sujeição de sua mente e de sua vida à Palavra de Deus ou o desviasse de seguir a Cristo” (Ronald S. Wallace, Calvino, Genebra e a Reforma, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003, p. 11-12)

[7]Fórmula de Concórdia, Introdução: In: Livro de Concórdia,  7. ed. (revisada e atualizada), Canoas, RS.; São Leopoldo, RS.; Porto Alegre, RS.: Concórdia; Sinodal; Ulbra, 2016, p. 499-501.

[8]Boettner  (1901-1990) resume bem a posição protestante: “Não rejeitamos todas as tradições, mas antes usamo-las judiciosamente até onde elas concordam com as Escrituras e se fundamentam na verdade. Podemos, por exemplo, tratar com respeito e estudar com cuidado as confissões e os pronunciamentos dos concílios de diversas igrejas, particularmente aquelas da antiga Igreja e as do tempo da Reforma. (…) Mas não concedemos a nenhuma igreja o direito de formular novas doutrinas ou tomar decisões contrárias aos ensinamentos das Escrituras. A história da igreja prova de maneira geral e muito claramente que os líderes da igreja e os concílios da igreja podem cometer erros e os cometem, alguns deles sérios” (Loraine Boettner, Catolicismo Romano, São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1985, p. 67).

[9] João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (2Tm 3.16), p. 262.

[10] João Calvino, As Institutas, I.6.2.

[11] João Calvino, As Pastorais, (2Tm 3.16), p. 262. Do mesmo modo: João Calvino, O Profeta Daniel: 1-6, São Paulo: Parakletos, 2000, v. 1, p. 29; John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 2 (Preface), p. 14; (Ex 3.1), p. 59; v. 17 (Jo) (Argument), p. 22; João Calvino, As Institutas, III.2.39;  IV.8.6). Em outro lugar Calvino diz que os Apóstolos foram “certos e autênticos amanuenses do Espírito Santo” (As Institutas, IV.8.9). No entanto, devemos entender, que Calvino usa esta expressão não para sustentar o “ditado” divino, mas sim, para demonstrar que os Apóstolos não criaram de sua própria imaginação a sua mensagem, antes, a receberam diretamente do Espírito. Ou seja, ele se refere ao resultado do registro, não ao processo em si. Entendia que Moisés escreveu os cinco livros da Lei “não somente sob a orientação do Espírito do Deus, mas porque Deus mesmo os tinha sugerido, falando-lhe com palavras de sua própria boca” (John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 3, (Ex 31.18), p. 328. A Palavra procede dos “lábios de Deus” (John Calvin, Calvin’s Commentaries, v. 1/1, (Gn 17.4), p. 446) Vejam-se também: John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 10 (Jr 36.28), p. 352; v. 22 (2Pe 1.21), p. 391). Veja-se uma boa exposição sobre este ponto em: B.B. Warfield, Calvin and Calvinism, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House (The Work’s of Benjamin B. Warfield), 2000 (Reprinted), v. 5, p. 63ss.; Edward J. Young, Thy Word Is Truth, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1957, p. 66-67; Wilson Castro Ferreira, Calvino: Vida, Influência e Teologia, Campinas, SP.: Luz para o Caminho, 1985, p. 356-257; David L. Puckett, John Calvin’s Exegesis of the Old Testament, Louisville, Kentucky: Westminster John Knox Press (Columbia series Reformed Theological), 1995, p. 25ss.; Derek Thomas, A Pregação Expositiva: Mantendo os olhos no texto: In: R. Albert Mohler, Jr., Apascenta o meu rebanho: um apaixonado apelo em favor da pregação, São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 51. Curiosamente, o Concílio de Trento, na sua quarta sessão (08/04/1546), usa esta expressão para as Escrituras: “Spiritu Sancto dictante” (“Foram ditadas verbalmente por Jesus Cristo ou pelo Espírito Santo”) (http://agnusdei.50webs.com/trento7.htm). (Ver: P. Schaff, The Creeds of Christendom, 6. ed. Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (Revised and Enlarged), (1931), v. 2, p. 80; Robert Laird Harris, Inspiração e Canonicidade da Bíblia, São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 18 e 306; Carl R. Trueman, O poder da Palavra no presente: A inerrância e a Reforma: In:  John F. MacArthur, org.  A Palavra Inerrante, São Paulo: Cultura Cristã, 2018, [p. 137-148], p. 143; Kenneth S. Kantzer, Calvin and the Holy Scriptures: In: John W. Walvoord, ed. Inspiration and Interpretation,  Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1957, [p. 115-155], p. 137ss.).

[12] John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker, 1996 (Reprinted), v. 22, (1Pe 1.11), p. 39-40.

[13] Já nos Pais da Igreja encontramos uma variedade de opiniões concernentes à sua autoria. Alguns, conforme informa Orígenes – citado por Eusébio –, pensavam que teria sido escrito por Paulo (Eusebio de Cesarea, Historia Eclesiástica, Madrid: La Editorial Catolica, S.A., (Biblioteca de Autores Cristianos), 1973, VI.25.13. (Ver III.3.5; III.38.1ss; VI.20.3), Clemente de Roma ou Lucas. (Cf. Eusébio, HE, VI.25.14. (Ver III.38.1ss.).

            Erasmo de Roterdã (1466-1536) reviveu, no século XVI, a hipótese de Clemente ter sido o autor de Hebreus. (Cf. Donald Guthrie, New Testament Introduction, 3. ed. (Rev.), Downers Grove, Illinois: Inter-Varsity Press, in one volume, 1970, p. 694). Posição (Clemente ou Lucas) que Calvino (1509-1564) parecia estar disposto a aceitar (Exposição de Hebreos, São Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 13.23), p. 402). Certo era que ele não cria na autoria paulina. (Ibidem, (Introdução), p. 22; Hb 2.3, p. 54, 55; (Hb 11.3), p. 300).

            Lutero acreditava que poderia ter sido escrita tardiamente por algum discípulo dos apóstolos. Porém, considera a questão da autoria irrelevante (Martinho Lutero, Prefácio à Epístola aos Hebreus: In: Martinho Lutero: Obras Selecionadas, São Leopoldo; Porto Alegre, RS.: Comissão Interluterana de Literatura; Sinodal; Concórdia, 2003, v. 8, p. 152-153).

            Clemente de Alexandria (c. 150- c.215) supunha ter sido escrita por Paulo em Hebraico e Lucas a teria traduzido. (Eusébio, HE, VI.14.2/III.38.2). S. Tomás de Aquino (1225-1274) também partilhou desta concepção (Cf. F.F. Bruce, La Epistola a Los Hebreos, Michigan: Nueva Creacion, 1987, p. xxxix). Aquino, numa série de sermões pregados sobre o “Credo Apostólico”, em Nápoles (1273), cita Hebreus como sendo de Paulo. (Ver: S. Tomás de Aquino, Exposição Sobre o Credo, São Paulo: Loyola, 1994, p. 17.25). O próprio Orígenes considerava que o estilo da epístola assemelha-se ao de Paulo e a composição parecia de alguém que evocava os seus ensinamentos, como um aluno que anota os escritos de seu mestre (Eusebio, HE, VI.25.13), contudo, sobre quem escreveu a carta, conclui ele, somente Deus sabe a verdade (Eusebio, HE, VI.25.14). (Para uma discussão mais completa desse assunto, veja-se: Hermisten M.P. Costa, A Inspiração e Inerrância das Escrituras: Uma Perspectiva Reformada, 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2008).

[14]David L. Puckett, John Calvin’s Exegesis of the Old Testament, Louisville, Kentucky: Westminster John Knox Press (Columbia series Reformed Theological), 1995, p. 27. Em uma linha semelhante, resume Crampton: “A visão que Calvino mantinha sobre os autores da Escritura é que o Espírito Santo agiu neles em um caminho orgânico, em acordo com suas próprias personalidades, caráter, temperamentos, dons e talentos. Cada autor escreveu em seu próprio estilo, e todos eles foram movidos pelo Espírito Santo para escreverem a verdade infalível. Realmente cada estilo de autor foi nele mesmo produzido pela providência de Deus” (W. Gary Crampton, What Calvin Says, Maryland: The Trinity Foundation, 1992, p. 23).

[15] Ver João Calvino, As Institutas, I.8.10-12.

[16]João Calvino, Efésios, São Paulo: Paracletos, 1998, (Ef 3.3), p. 86.

[17] “Em certo sentido, a história da teologia cristã pode ser entendida como a história da interpretação bíblica” (Alister E. McGrath, Fundamentos do Diálogo entre Ciência e Religião, São Paulo: Loyola, 2005, p. 15). À frente: “Embora a controvérsia centralizada em Galileu seja quase sempre considerada a luta entre ciência e religião, ou entre libertarismo e autoritarismo, o que estava verdadeiramente em jogo era o sentido a da correta interpretação da Bíblia” (Alister E. McGrath, Fundamentos do Diálogo entre Ciência e Religião, p. 25).

[18] “Não há exagero em dizer que a Reforma do Século XVI foi, no fundo, uma revolução hermenêutica” (Moisés Silva, Has the Church Misread the Bible?: In: Moisés Silva, ed. ger. Foundations of Contemporary Interpretation (Six Volumes in One), Grand Rapids: Michigan: Zondervan, 1996. [p. 15-90], p. 62).“A Reforma Protestante foi em sua raiz um evento do domínio da hermenêutica” (Edward A. Dowey Jr., Documentos Confessionais como Hermenêutica: In: Donald K. Mckim, ed.,  Grandes Temas da Teologia Reformada, São Paulo: Pendão Real, 1999, p. 13). “A Reforma Protestante foi, em muitos sentidos, um movimento hermenêutico” (Augustus N. Lopes, A Bíblia e Seus Intérpretes, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 159).

[19] Richard H. Popkin, História do Ceticismo de Erasmo a Spinoza, Rio de Janeiro: Francisco Alves, 2000, p. 26.

[20]Cf. Alister E. McGrath, Historical Theology: An Introduction to the History of Christian Thought, Massachusetts: Blackwell Publishers, 1998, p. 210. A Confissão de Westminster fala também da “condescendência” de Deus em firmar um Pacto com o homem caído (Ver: Confissão de Westminster, VII.1).

[21] Battles  (1915-1979) nos adverte que Calvino nunca empregou a palavra “acomodação” na forma substantivada (accommodatio) nas Institutas e, possivelmente em qualquer de seus escritos. Porém, utilizou os verbos accommodare ou attemperare. (acomodar). (Cf. Ford L. Battles, Interpreting John Calvin, Grand Rapids, MI.: Baker Books, 1996, p. 117).

[22]J. Calvino, Exposição de 1 Coríntios, (1Co 2.7), p. 82.  “Deus não pode ser compreendido por nós, a menos que se acomode ao nosso padrão” (John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 11/2, (Ez. 9.3,4), p. 304). “Não podemos compreender plenamente a Deus em toda a sua grandeza, mas que há certos limites dentro dos quais os homens devem manter-se, embora Deus acomode à nossa tacanha capacidade toda declaração que faz de si mesmo. Portanto, somente os estultos é que buscam conhecer a essência de Deus” (João Calvino, Exposição de Romanos, São Paulo: Edições Paracletos, 1997, (Rm 1.19), p. 64). “O Espírito Santo propositadamente acomoda ao nosso entendimento os modelos de oração registrados na Escritura” (João Calvino, O Livro dos Salmos, v. 1, (Sl 13.3), p. 265). “Porque se viesse a nós em Sua majestade estaríamos perdidos; porém quando Se nos apresenta por meio de homens se acomoda a nossas debilidades para que possamos conhecer mais convenientemente sua verdade a qual Ele nos propõe” (Juan Calvino, Autoridad y Reverencia que Debemos a la Palabra de Dios: In: Sermones Sobre Job, Jenison, Michigan: T.E.L.L., 1988, (Sermon nº 17), p. 212).  “Porque, uma vez que em si mesmo seja incompreensível, ele assume, quando quer manifestar-se, aquelas marcas pelas quais possa ser conhecido” (John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 1/1, (Gn 3.8), p. 161). “Este é aquele arrependimento tão amiúde referido nas Escrituras. Não que Deus seja em si mutável, mas Ele usa a linguagem humana para que sejamos afetados com o mais profundo senso de sua ira” (J. Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Parakletos, 2002, v. 3, (Sl 106.23), p. 685]. “O Espírito Santo não teve intenção de ensinar astronomia; e, com o propósito de instruir procurou ser comum às pessoas mais simples e iletradas” (John Calvin, Commentary on the Book of Psalms, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House (Calvin’s Commentaries, v. 6/4), 1996 (Reprinted), (Sl 136.7), p. 184]. Veja-se: James Orr, Ciência e Fé Cristã: In: R.A. Torrey, ed. Os Fundamentos, (Edição atualizada por L. Feinberg), São Paulo: Hagnos Editora, 2005, p. 129-139. Ver também: Herman Bavinck, Reformed Dogmatics: Volume 1: Prolegomena, Grand Rapids, Michigan: Baker Academic, 2003, p. 214.

[23]Calvino usou deste recurso hermenêutico para explicar assuntos aparentemente contraditórios na Bíblia. Falando sobre os antropomorfismos bíblicos, diz em lugares diferentes: “Pois quem, mesmo que de bem parco entendimento, não percebe que Deus assim conosco fala como que a balbuciar, como as amas costumam fazer com as crianças? Por isso, formas de expressão que tais não exprimem, de maneira clara e precisa, tanto quê Deus seja, quanto Lhe acomodam o conhecimento à paucidade da compreensão nossa. Para que assim se dê, necessário Lhe é descer muito abaixo de Sua excelsitude” (J. Calvino, As Institutas, I.13.1). “A descrição que dele se nos outorga tem de acomodar-se-nos à capacidade, para que seja de nós entendida. Esta é, na verdade, a forma de acomodar-se: que tal se nos represente, não qual é em Si, porém, qual é possível de ser de nós apreendido” (J. Calvino, As Institutas, I.17.13). Ver também: João Calvino, O Livro dos Salmos, v. 1, (Sl 13.3), p. 265; (Sl 19.4-6), p. 420-421/ v. 2, (Sl 50.14), p. 409; v. 3, (Sl 78.65), p. 241; (Sl 91.4), p. 447; (Sl 93.2), p. 474; (Sl 106.23), p. 685; João Calvino, O Evangelho segundo João, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1, (Jo 1.1), p. 30;  (Jo 3.12), p. 127; v. 2, (Jo 14.28), p. 111; (Jo 21.25), p. 327; As Institutas, I.14.3,11; I.16.9; IV.17.11; As Institutas, (1541) III.8. Deste princípio derivado da Retórica (Cf. Alister E. McGrath, A Vida de João Calvino, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 154ss.) ele tirou um princípio pedagógico: “Um sábio mestre tem a responsabilidade de acomodar-se ao poder de compreensão daqueles a quem ele administra o ensino, de modo a iniciar-se com os princípios rudimentares quando instrui os débeis e ignorantes, não lhes dando algo que porventura seja mais forte do que podem suportar” (J. Calvino, Exposição de 1 Coríntios, (1Co 3.1), p. 98-99. Ver também: João Calvino, As Pastorais, (2Tm 2.15), p. 235]. Hooykaas (1906-1994) sustenta que a “teoria da acomodação de Calvino” exerceu poderosa influência sobre os astrônomos protestantes (Ver: R. Hooykaas, A Religião e o Desenvolvimento da Ciência Moderna, Brasília, DF.: Editora Universidade de Brasília, 1988, p. 160ss.; Alister E. McGrath, Historical Theology: An Introduction to the History of Christian Thought, Massachusetts: Blackwell Publishers, 1998, p. 210. Em que pese o marxismo do autor, veja-se a obra de Christopher Hill, A Bíblia Inglesa e as Revoluções do Século XVII, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 43ss.).

[24] John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted),  v. 8/1,  (Is 40.18), p.  223

[25]João Calvino, O Livro dos Salmos, v. 3, (Sl 78.65), p. 241.

[26]John H. Gerstner, A Atitude da Igreja Perante a Bíblia: Calvino e os Teólogos de Westminster: In: Norman Geisler, org. A Inerrância Bíblica, São Paulo: Editora Vida, 2003, p. 477. Veja-se também: Alister E. McGrath, A Vida de João Calvino, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 154ss.

[27] John Calvin, Commentary on the Gospel According to John, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House (Calvin’s Commentaries, v. 18), 1996 (Reprinted), (Jo 21.25), p. 299.

[28]John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 22,  (1Pe 1.21), p. 54. Parker interpretando Calvino, diz: “…. Os pensamentos e a linguagem de Deus são incompreensíveis ao homem. Mas revelação só é revelação se ela for compreensível. Portanto, os pensamentos e a linguagem de Deus devem tornar-se compreensíveis, e isso acontece quando Deus, para dizer assim, os traduz em pensamentos e linguagem humanos” (T.H.L. Parker, Calvin´s New Testament Commentaries, 2. ed. Louisville, Kentucky: Westminster; John Knox Press, 1993 p. 94). Esse princípio de acomodação fora amplamente usado pelos judeus e Pais da Igreja. Para um estudo mais detalhado desse tema, vejam-se:  Stephen D. Benin, The footprints of God: divine accommodation in Jewish and Christian Thought, Albany: State University of New York Press, 1993; Ford L. Battles, Interpreting John Calvin, Grand Rapids, MI.: Baker Books, 1996, p. 117-137; Edward A. Dowey, Jr., Knowledge ot God in Calvin’s Theology,  New York: Columbia University Press, 1952, p. 3ss.)

[29]João Calvino, As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, (III.7). v. 3,  p. 9.

[30]J. Calvino, As Institutas, I.8.1. Calvino, continua: “Ora, e não sem a exímia providência de Deus isto se faz, que sublimes mistérios do reino celeste fossem, em larga medida transmitidos em termos de linguagem apoucada e sem realce, para que houvessem eles de ser adereçados em mais esplendorosa eloquência, os ímpios não alegassem cavilosamente que a só força desta aqui impera.

            “Agora, quando essa não burilada e quase rústica simplicidade provoca maior reverência de si que qualquer eloquência de retóricos oradores, que é de julgar-se, senão que a pujança da verdade da Sagrada Escritura tão sobranceira se estadeia, que não necessite do artifício das palavras?” (J. Calvino, As Institutas, I.8.1).

            No entanto, ele também entendia que “alguns Profetas têm um modo de dizer elegante e polido, até mesmo esplendoroso, assim que a eloquência lhes não cede aos escritores profanos” (J. Calvino, As Institutas, I.8.2).

[31] João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Parakletos, 2002, v. 3, (Sl 78.3), p. 198.


Fonte: https://gileadejuazeiro.com.br/como-lutero-e-calvino-entendiam-a-autoridade-e-inerrancia-biblica/

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *